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Economia Mundial e Brasileira

China rescata para a Europa

China rescata para a Europa

Sem dúvida, passamos por um novo episódio da crise de dívida soberana. A grécia com os seus três poderes em nível justamente anterior à falência, as notícias sobre a Itália e seu plano de austeridade e verificada a incapacidade da Grécia para pagar suas dívidas, mesmo com o 5º trecho do resgate realizado.

As características deste novo episódios das discutimos há dois dias já em Sintetia (aqui e aqui). Basicamente: diferenciais máximos de Portugal contra a Alemanha, a bolsa, com queda de 3% e a Itália, que dispara ainda mais rápido do que Portugal.

Após dois dias de pressão absoluta no mercado oimos rumores de que o Banco Central estaria dando suporte no mercado secundário comprando dívida. Mas já sabemos a opinião do BCE sobre isso: não é a solução desejável para o risco moral que implica, além de que conta com um saldo de crescimento restrito, o que, na verdade, diríamos que nem sequer tem capacidade real para ir para o resgate da dívida de seus parceiros. Lemos assim ontem uma interessante notícia que interpreta a correção de mercado ontem como uma ação por parte da China. É dizer, China resgata a Europa … de novo!. Isto é, naturalmente, um boato sem confirmar, mas os indícios são sensatos:

BCE conta com um orçamento limitado (ver gráfico abaixo). Ao contrário do que acontece com o Fed.
A China está assistindo aumentar o seu volume de activos de reserva, de maneira espetacular e, diante de um dólar deprimido, está voltando com o Euro.
China supostamente levaria meses participando da dívida soberana europeia. O atual alargamento de spreads provocaria uma forte minusvaloración de sua carteira, o que é um claro incentivo para apoiar a sustentabilidade de um ativo (dívida soberana), em que ele mesmo está siginificativamente exposto.

E é que sabemos que a regra grosseira (rule of thumb) é que para ter um superávit produtivo (conta corrente), você precisa de um défice financeiro (ex-conta de capitais). E a China se encaixa aqui. Tudo o que ganha e exportando a crescer o seu produto, investe em ativos, financiando seus parceiros comerciais.

Podemos concluir, assim, que a China (na verdade, a Ásia em geral) parece ser o autêntico chão ou backstop para a crise europeia.