Blog Polux Economy
Economia Mundial e Brasileira

Explicando o “Banco Mau”: como queremos eficiência ou queremos tamanho?

Explicando o “Banco Mau”: como queremos eficiência ou queremos tamanho?

Propomos-lhe que pare um segundo para pensar. Você é um gestor de política econômica e se apresentam o seguinte problema:

Você tem dois bancos, A e B. Ambos são grandes, e o seu negócio baseia-se em duas atividades: depósitos e imóveis. Se as juntas, a caixa de um ajudar o outro, e você vai encontrar alguma sinergia. A outra opção é remover a parte de seus negócios menos valiosa (digamos que são os imóveis). Qual opção você escolheria?

Em Portugal, temos apostado pela primeira alternativa: promovamos a fusão de entidades, procurando sinergias em suas uniões e isto é, criminalizar, com fortes exigências para os que querem ficar sozinhos.

No entanto, há outra opção: tentar obter mais eficiência e com menos tamanho, eliminando do negócio bancário aquilo que não agrega valor. Para Simplificar, suponha-se que se trata de imóveis. Como poderíamos conseguir algo assim? Através da criação de bancos maus. Por mal que soe a palavra, um “banco mau” pode ser uma boa saída para o problema que atravessa o sector financeiro português.

O que é realmente a proposta do “banco mau”?

A proposta se baseia na criação de um novo banco onde se depositarían todos os ativos tóxicos (no nosso exemplo: imóveis e similares) e se lhe cederiam, igualmente, certos passivos que financiaran essa parte do negócio. Mas, quem seria o proprietário dos ativos e responsável pelos passivos?

A chave da proposta encontra-se em um aspecto que raramente é explicado na mídia: partimos de um banco original (banco A), sobre o qual existe uma forte incerteza. Do referido banco, se separam os ativos duvidosos (digamos imóveis) daqueles que não apresentam problemas (digamos empréstimos a empresas industriais). Com os ativos de boa qualidade, forma-se um banco ” bom “(banco B) e com os ativos de má qualidade de um “banco mau” (banco M). É evidente que uma simples separação de balanços não pode ser a solução para a crise, porque o balanço líquido de ambos os bancos é idêntico ao original (A = B M): se o banco original estava em uma situação de falência a sua separação não vai salvar os credores (ou ao emprestador de última instância). Ou será que sim? Precisamente a chave é encontrada não apenas em separar os ativos, mas sim em como financiar separadamente cada parte desse ativo. Quem financia o banco bom (B), e quem financia o mau (M)?

A chave da idéia do “banco ruim” está em que, dos dois novos bancos criados, o bad (banco M) seria dono (possui todas as ações) do bem (banco B). Ou seja, o “banco mau” é quem de fato “financia” o Bom!!!! Com esta operação colocamos no cabeçalho do “grupo empresarial” ao ” Banco mau “M”, a quem obrigar a comprar dois pacotes: o ativo ruim (imóveis) e o banco bom “B”. Bem, nós cedemos passivo ou financiamento suficiente para o banco de errado para que você possa ter todo esse negócio, e o banco bom B se torna pequeno, mas independente do resto do grupo empresarial! Passa a ser uma filial (saudável) que pendura de uma entidade maior e duvidosa… a qual, seja como for, não deixa de ser apenas um acionista do banco bom “B”.

Assim, o balanço consolidado seria, logicamente, idêntico ao do banco original… mas o banco B estaria livre de suspeitas sobre sua solvência e poderia voltar a operar normalmente no mercado.

A insolvência, falência ou necessidade de recapitalização teria início no país apenas sobre o banco M, e em um hipotético concurso de credores, as ações do banco B podem ser utilizados para compensar dívidas… mas durante todo este processo, o banco B (solvente) poderia continuar a realizar independentemente de sua função de intermediação financeira, sem estar contaminado pela turbulência do processo de recapitalização ou desaparecimento.

Se sabemos fazer a separação de ativos e passivos (cuidado, a determinação de preços de transferência intra-grupo é altamente complicada) a solução não requer quase ajudas públicas: nos podemos esquecer do FROB, ou quase. Possivelmente só com a dívida financeira garantida poderia ter saído para a frente.

O maior inconveniente da solução do “banco ruim” é que a estrutura não deixa de ser uma “compra de tempo”. Estamos apostando que sabemos localizar o núcleo sadio da entidade, sozinha, e fazer que aquele negócio, volte a puxar para a frente e que essa filial acabe ajudando a capitalização do grupo empresarial completo.

Mas o que aconteceria se o banco errado não prospera? Precisamos que seja minimamente viável para manter isolado, e possivelmente a sua classificação depende do valor que lhe apresente a sua participação no Banco bom. Se o banco errado não é minimamente rentável, você terá que ir vendendo parte de seu ativo e ir perdendo peso, pouco a pouco, o que representa uma destruição de valor para o grupo empresarial.

Se, com o passar do tempo, a filial (banco bom) não ajuda o grupo empresarial a ser capitalizada, o banco ruim pode acabar emagrecimento até a mínima essência, em que só nos resta… o banco bom, eficiente, mas pequeno. Mas isso não tem que ser necessariamente prejudicial, mas, desde então, é uma solução que traz o risco da operação sobre o setor privado, que corre o risco de perder muitos ativos.

E, em última instância, em caso de falência final de alguma entidade, a tempestade teria início no país sobre o conjunto da entidade, mas o núcleo de actividade da entidade pequena estaria a salvo e poderia continuar operando normalmente. Não nos esqueçamos que um dos motivos pelos quais não se deixou esmagar os bancos é porque o processo de falência de uma instituição financeira é extremamente complexo, e durante sua duração (vários anos), as entidades deixam de estar de facto operacionais.

Qual é a sua solução preferida? Como dar mais garantias aos bancos para que continuem crescendo ou lhes damos menos garantias para que adelgacen, “por seu próprio peso”, tudo aquilo que não é puro negócio bancário?