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Economia Mundial e Brasileira

Não sejamos míopes com a Grécia

Não sejamos míopes com a Grécia

Estas são as chaves para analisar o resgate à Grécia: a inclinação (invertida) do CDS e o plano de financiamento (crível) a médio e longo prazo. Desde que a Grécia pediu formalmente a ativação do plano de resgate, de 23 de abril de 2010, muitos foram os rumores sobre como será implantado o resgate anunciado (consultar aqui os detalhes).

Podemos dar a olhar para trás para ver que sinais nos dão os mercados sobre uma possível falência de um emitente. Para isso, devemos olhar para a inclinação do CDS. Para esta análise, me basaré na inclinação 3 vs 1 anos de idade como variável indicador (idéia já comentada em Sintetia).

Esta é a inclinação 3 vs 1 dos principais soberanos “periféricos”, sobre os que hoje gira a situação:
1. Grécia: – 145 p. b.
2. Espanha: 24 p. b.
3. Portugal: – 13,5 p. b.
4. Itália: 10,5 p. b.
Vejamos agora a situação esta pendente nos CDS do Lehman Brothers e Bear Stearns antes da sua falência, em agosto de 2008 e janeiro de 2008, respectivamente):
1. Lehman Brothers: – 239 p. b.
2. O Bear Stearns: – 67,5 p. b.

E é que o nível absoluto de CDS não nos dá toda a informação hoje em dia, pois foi demonstrado que um governo tem muito mais capacidade de resistir a um forte aumento em seu custo de financiamento a curto prazo do que um banco. Tomemos abaixo, os gráficos dos CDS para ver que não existe relação direta e única entre o nível absoluto de CDS e a falência final do emitente.

Uma inclinação de CDS invertida está nos dizendo que o mercado está apostando que o emissor terá muitos problemas a curto prazo, mas, se sobreviver no médio / longo prazo, o risco será menor. Ou seja, ou bem a falência ou o resgate funciona.

Sabendo isso, o que está nos dizendo agora é o mercado? Claramente estão fazendo os dois grupos (i) os que têm a inclinação de CDS invertida, e (ii) os que não. No primeiro grupo estão a Grécia e Portugal. No segundo, a Espanha e a Itália. Em troca, os quatro países têm níveis de dívida pública sobre o PIB “elevados”. Em seguida, esta não parece ser a causa (pelo menos a única) na discriminação, no preço de sua dívida, que está fazendo o mercado.

Se toda a questão gira em torno de um resgate, por que é que não teriam se acalmou os mercados, quando este já foi anunciado desde a UEM e o FMI? O CDS a 3 anos (prazo anunciado do resgate) relaxou mais de 100 p. b. logo após o anúncio, no dia 23 de abril, mas depois alargou-se até 350 p. b. mais, chegando a níveis máximos históricos de 760 p. b.

A razão foi dada indiretamente, Angela Merkel, da Alemanha. As reticências para dispor dos fundos para a Grécia desde que a Alemanha se devem à necessidade de ter um plano de financiamento (o que inclui austeridade) nos próximos anos. Não apenas um compromisso para hoje (ver o artigo de Nada €$ Grátis a respeito).

E é que não devemos nos enganar, em condições normais de financiamento, a uma empresa, ninguém lhe daria fundos para financiar apenas necessidades de capital de giro, pois isso é indicativo, muitas vezes, de ausência de plano de continuidade do negócio. E é isso que se pede a Grécia, que demonstre seu plano de continuidade. Alemanha pede para confiar seriamente em Atenas uma ratificação por parte do FMI, os verdadeiros especialistas na matéria, o que parece sensato.

Como fazemos o resgate confiável?

Essa é a principal dúvida, em tais momentos, que gira em torno destas perguntas:

– Quem dá o dinheiro antes? Muita coordenação internacional é necessária.

– Em que posição relativa como credor deve colocar quem financie a Grécia? Desde que a Grécia tem um problema de excesso de alavancagem, o resgate vem a fornecer um “empréstimo ponte” para refinanciar sua dívida. Mas isso pode não ser suficiente. Isso não seria um resgate precioso. Se a parte que lhes financie se situam de forma “muito prioritária” na prioridade de credores da Grécia, nenhuma ajuda-lhe estariam dando (desde que seu problema é de excesso de dívida impossível de refinanciar). Por isso pede-se a partir da Alemanha, um plano de financiamento (investimento do dinheiro, e austeridade nos gastos) que faça a devolução do dinheiro que lhe confere realmente valiosa, e que não seja a dilatação de uma falência.

– Seguindo com o ponto anterior, não devemos descartar uma reestruturação da dívida. E é que fica claro que o problema da Grécia são as amortizações da dívida. E a falta de um componente cíclico positivo que impulsione suas receitas… duramente, sem reestruturar a sua dívida, possa dar credibilidade aos seus “salvadores” de que, realmente, o dinheiro será muito bem usado. Para ilustrar isso, basta ver o seguinte gráfico, onde vemos o diferencial de crédito dos bônus da Grécia. Vê-Se perfeitamente que os spreads de 2012 e 2013 estão cotadas um forte risco de inadimplência do principal.