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Economia Mundial e Brasileira

Outros mercados, outras bolhas, outros surtos

Outros mercados, outras bolhas, outros surtos

Tem sido um lugar comum vincular a atual crise financeira, sua virulência e suas causas, com a explosão de uma bolha de ativos financeiros e imobiliários ocasionada pelas baixas taxas de juro que incentivaram o crescimento do endividamento privado desde o final dos anos noventa até 2007. Mas durante a última década, não apenas se deram bolhas especulativas nos mercados financeiros e imobiliários globais, mas que também existiram outros mercados que apresentaram a sua própria evolução expansiva por cima de seu crescimento sustentável por fatores de oferta e demanda a longo prazo, e seu próprio processo de implosão. Um desses mercados com comportamento especulativo e posterior implosão foi a construção de navios mercantes, entre 2004 e até o começo de 2009. A particularidade da evolução, durante o último ciclo, como veremos, foi a de que, contrariamente ao que aconteceu historicamente, a implosão de sua bolha especulativa foi com significativo atraso em relação à evolução do PIB e de outros setores industriais, devido à particular inter-relação entre a evolução do preço das commodities (matérias-primas) em 2008, os preços dos fretes e a contratação dos armadores.

A literatura empírica sobre a determinação dos preços dos fretes concorda em vincular o preço do frete, através de uma relação estável de longo prazo com o ciclo económico (Thorsen, 2010, Adlan et. Al, 2006, Veenstra et. al, 1997) através de modelos de cointegración, de forma que os desvios em relação a este relacionamento a longo prazo é corregirían com atraso. Na literatura teórica da relação entre ciclo econômico e fretes deriva do equilíbrio (ver gráfico inferior dcho meu computador -.) entre a oferta (determinada pela produtividade e o tamanho do frete, e completamente elástico para um preço de frete se não existe excesso de capacidade e inelástica se existe excesso de capacidade para uma frota mercante dada) e a demanda (determinada pelo tamanho do comércio de mercadorias e as expectativas de evolução do preço spot do frete).

Durante a última fase de expansão do ciclo econômico mundial esta relação entre ciclo econômico e o preço do frete é interrompida (a alta correlação histórica entre o crescimento económico, comércio ou produção e preço do frete caiu bruscamente entre 2007 e 2009), devido a que a evolução em alta dos preços das matérias-primas levou expectativas de aumento dos preços spot dos fretes (ver gráfico inferior izdo.). Esta evolução em alta dos preços dos tiras se traduziu em um aumento da construção de navios mercantes e um aumento do tamanho da frota mercante, que classificou a oferta no mercado, entre 2007 e 2009. Em 2009, a queda do comércio mundial a taxas próximas ao -20% e a referida elevação da oferta, que provocaram uma queda abrupta dos preços dos fretes, de forma que, apesar do alto crescimento do comércio mundial em 2010 (cerca de 20% no primeiro semestre do ano), os preços dos fretes e a própria contratação de navios mercantes que se manteve em níveis muito reduzidos, e sem perspectivas de alcançar os níveis de 2008, durante o próximo biênio.

Paulino Fernandes. Economista