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Economia Mundial e Brasileira

Pensamento intuitivo: o Zona do Euro, com ou sem a Grécia?

Pensamento intuitivo: o Zona do Euro, com ou sem a Grécia?

Suponha que nos propõem duas alternativas:

1. Zona Euro (16 países membros fortes e saudáveis, e mais um que está em crise, chamá-lo Grécia.

2. Zona Euro (16 países membros fortes e saudáveis.

Qual preferem? O Zona do Euro, com ou sem a Grécia?

A maioria escolhe a opção 2. Melhor ter um bom grupo de países que um grupo maior, mas com um indivíduo em crise.

Esta resposta é um claro exemplo da fraqueza de nosso pensamento intuitivo. Definimos pensamento intuitivo como aquele que é automático, sem esforço, normalmente inconsciente, e que se baseia em associações coerentes.

Daniel Kahneman, psicólogo e prêmio Nobel de Economia, explica recentemente, em uma aula magistral as fraquezas (pontos fortes) do pensamento intuitivo.

Uma das manias mais curiosas da intuição é que não sabe calcular tudo. Existem alguns cálculos que você pode fazer e outras que não, cálculos que exigem pensamento consciente, com esforço. Há evidência de que a intuição sabe calcular uma média, mas não uma soma. O exemplo típico é obtido ao oferecer ao leitor a seguinte imagem:

Grupo de linhas

A pergunta sobre o comprimento das linhas, a intuição permite-nos responder rapidamente a um comprimento médio das mesmas. Em seguida sabemos mais ou menos como são as linhas finas. Em contrapartida, ao se perguntar pelo comprimento total de todas as linhas … custa-nos calculá-lo.

Deste modo, quando se nos apresenta uma série de componentes baseamos a nossa primeira percepção (percepção e a intuição estão intimamente ligadas) na média observada.

Vejamos outro grande exemplo que expõe Kahneman:

Pensamento intuitivo: escolha entre 2 cestas de bens

Quando os indivíduos são convidados a escolher entre a cesta (set: 40 peças) ou a cesta B (set-B: 24 peças), a maioria se inclina para a B. A intuição rege a decisão, já que observamos que o valor médio dos componentes da cesta B é maior que a A. Já que a cesta B tem todos os seus componentes inteiros e completos. Enquanto isso, a cesta possui componentes quebrados, na verdade, essa cesta tem os mesmos componentes que a B e alguém mais quebrado ou estragado. Então, na verdade, em termos absolutos, a opção domina a a opção B (oferece o mesmo ou mais!).

Assim, quando vemos um cesto com 9 maçãs boas e uma décima podre, nossa intuição nos diz que é pior do que um cesto com 9 maçãs boas. Estatisticamente, este desempenho da intuição é lógico: a média é uma boa medida de defesa, porque é muito mais descritiva da distribuição a que se enfrenta, e para tomar uma decisão rápida, é o melhor estadistico. ¡¡ Certa intuição !! , mas a média não nos dá toda a informação necessária, então às vezes é uma falha a nos guiar apenas pela intuição.

Conclusão: a intuição não sabe somar, por que confiar só ela pode dar lugar a erros. Do mesmo modo, é um erro pensar que uma Área do Euro com um membro em crise é pior do que uma Área do Euro com um membro a menos. Na média, estamos pior com a Grécia a bordo, mas em termos absolutos, temos agora o mesmo ou mais do que sem a Grécia a bordo.

Se levamos a Grécia, nós não paga toda a dívida (segundo vai definir o novo tipo de câmbio com moeda posterior) e perdemos tamanho (ativo). Se ficar, não paga toda ou parte de sua dívida, mas mantemos tamanho e potencial. Ou seja, na média, temos uma Zona do Euro mais fraca, com a Grécia a bordo, mas em termos absolutos, jogá-la não significa nenhuma melhoria para nós.

Outra coisa é o que a Grécia quer, e além disso estão as análises sobre o possível contágio que causaria a deixar a Grécia “livremente” sair da Zona Euro.

Que não nos domine a intuição: está demonstrado que às vezes falha. Parece que Merkel tem pensado nisso a fundo por agora, não deixando-se levar pela intuição.