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Economia Mundial e Brasileira

Por que os países desenvolvidos se recusam a quebrar?

Por que os países desenvolvidos se recusam a quebrar?

Por que um país desenvolvido em apuros continua pagando a sua dívida estrangeira? Até quando esse país é resgatado por um organismo internacional, como é o FMI ou por outros Governos, nos perguntamos o que leva um país com problemas de solvência já recusar-se a impagar sua dívida?

Pensamos na Grécia quando nos fazemos esta pergunta. Uma vez resgatado e financiado por planos de resgate externos ao país, por que não impagar seus bônus em mãos de investidores estrangeiros e concentrar-se em usar os fundos recebidos para suas finanças domésticas? Mesmo aqueles emissores que tenham pagamentos em atraso, supostamente, podem voltar a financiar-se nos mercados internacionais depois de um tempo … Então por que não impagar?

Em um recente artigo no VoxEu os autores Viral Acharya e Ragurham Corte (ex-economista-chefe do fundo monetário internacional (FMI) tentam explicar-nos isto: “Dívida Soberana, Governos com Miopia e o Sector Financeiro”.

Extraímos alguns parágrafos que encontramos especialmente clarificadores e traduzimos livremente. Não obstante, recomendamos a leitura completa do artigo.

A falência da dívida soberana prejudica diretamente a atividade no país, já que deixaria insolventes, os bancos domésticos e se reduziria a atividade dos mercados financeiros. O governo não pode impagar de forma seletiva em que os detentores de bônus estrangeiros, unicamente, tanto porque não conhece quem são os detentores de cada um de seus bônus, como porque não pode seguir o rasto no mercado secundário de vendas entre investidores domésticos e estrangeiros. Então, o governo tem um grande incentivo para evitar a falência e fazer o pagamento líquido de toda a sua dívida total, incluindo os investidores estrangeiros.

Um desenvolvimento interessante da atual crise de dívida soberaba na Europa é a extrema dependência de saúde de um país, do estado de seu próprio sistema financeiro, e vice-versa. Acharya et al (2010) aponta que os 91 bancos que passaram o stress test, em 2010, tinham em média uma posição em dívida soberana, que representava até 1/6 de seus ativos ponderados por risco, e dentro desta posição existe um “viés doméstico” pelo qual os bancos possuem uma parte substancial de bónus seus próprios governos (ver Figura). De fato, o viés de estimação é maior em países com maiores chances de quebrar, sugerindo a existência de uma correlação positiva, países que têm maior risco de falência também possuem bancos com carteiras de investimento cheias de dívida do próprio governo.

Uma explicação é que os bancos são os compradores de última instância (talvez de alguma forma forçados a isso) da dívida de seu governo, e esta é a razão pela qual os países ricos, que não encontrar outros compradores de dívida, inundam seus bancos com o seu próprio papel. Uma explicação alternativa (ver Diamond e Cortam 2011) é que os bancos têm uma vantagem natural de ser carregado de um risco que se materializará enquanto eles mesmo, seja provável que quebrem. Mas outro terceira explicação, não mutuamente excludente, é a nossa – os países têm que experimentar os novos investidores de seus bônus que se comprometer ao pagamento de sua dívida estrangeira, e a melhor forma de demonstrar isso é aumentando o custo da falência da dívida doméstica a níveis proibitivos.

Neste sentido, consideramos que a recente proposta do think tank Bruegel, da Zona do Euro, sobre a emissão de um tipo de eurobônus. Os soberanos emitirían dois tipos de dívida (bônus azuis) que será garantida pelos países da Zona do Euro e que podem comprar os bancos domésticos, e a outra (bônus vermelhos) será de responsabilidade do país de origem e que estará proibido que comprem os bancos domésticos. Nosso modelo diz que há poucas razões pelas quais os países fossem servir o custo dos bônus vermelhos. Estes não estão em posse de suas instituições financeiras, e, portanto, não haveria um problema maior na hora de impagarlos. Isso complicaria os países financiado por montantes significativos através da emissão de bônus vermelhos, o que de fato pode ser a sutil intenção desta proposta.