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Economia Mundial e Brasileira

Prémio de risco em Portugal

Prémio de risco em Portugal

Estamos diante de um novo crescimento dos indicadores de alarme sobre o risco de crédito de Portugal. Lemos que o crescimento do diferencial de Portugal contra a Alemanha a 10 anos toca máximos históricos em 280 pontos base, só vistos em Novembro de 2010. O CDS de Portugal a 5 anos, se eleva acima de níveis de 300 pontos-base, elevando assim os alarmes sobre a situação de Portugal.

As dúvidas em torno da solução para o novo problema da Grécia fazem suspeitar sobre um risco de contágio. No entanto, esta análise à primeira vista, pode aprofundar-se um pouco mais.

Neste gráfico, incluímos duas séries. Primeiro, o diferencial da Alemanha com Portugal, a série azul, que efetivamente vemos marca máximos absolutos. Mas já observado em ocasiões anteriores, a importância de medir os indicadores relativos entre diferentes pontos (vencimentos), as mesmas curvas de rentabilidades e CDS, e as correlações (risk-on vs risk-off). Vejamos alguma variável mais que vale a pena incluir:

Inclinação da curva de bônus da Espanha 2 anos – 10 anos. Quanto maior, pior leitura do risco de crédito (mais invertida da curva, mais medo descontado de que algo “mau” significativo passe a curto prazo e não a longo).
Inclinação da curva de CDS de 5 anos – 10 anos. Quanto maior, pior leitura do risco de crédito. Ao igual que no caso anterior, o investimento de inclinação deduz um evento de crédito, que passarão fatura no curto prazo e se sobreviver no longo o risco será menor. Neste caso, tomamos os pontos 5 e 10, pois são os mais líquidos.
Nível absoluto do CDS 5 anos. Já que, no final, é a chave do nível do custo de garantia de seu crédito, pois é a referência que seguem os investidores no mercado.
Correlacion entre a Espanha e a Itália a 10 anos. A correlação entre a dívida destes dois países é a que marca as mudanças de fase do ciclo da dívida espanhola ultimamente: quando Portugal começou a piorar, ganhamos correlação com a Itália (lembre-se, ao início era pior crédito Itália, Espanha, pois tinham rating de AA contra um AAA de Portugal). No entanto, o pior da crise veio quando a correlacion quebrou e começamos a nos deixar levar pelo o que aconteceu com a Irlanda e a Grécia, e quando as reformas económicas em Portugal foram se estabelecendo e começaram a ser reconhecidas internacionalmente, voltamos a ganhar correlação com a Itália e estabilidade, portanto, fora da zona de perigo de os países periféricos. Por isso, agora a pior avaliação para o risco de Portugal é que a correlação de cair.

Por isso, propomos um Indicador Composto de Risco Brasil, que inclua tudo isso. Sem falta de sofisticar isso muito, podemos fazer uma média ponderação dessas variáveis. Baseando-se em uma análise “especialista” (ie: subjetivo do analista) podemos dizer que os pesos relativos são:

– Diferencial Portugal – Alemanha 10 anos = 1
– Diferencial de Portugal 2-10 anos = 4
– Diferencial CDS 5-10 anos = 4
– CDS 5 anos = 1
– Correlação com a Itália 10 anos = 5

E é que, de fato, os alarmes para os resgates saltaram mais quando inverteram-se as curvas de crédito e, quando os países começaram a perder correlação com o resto de Soberanos.

Com esta avaliação, vemos que a série negra do gráfico, indica-nos que estamos em uma crise que não for vivida em Junho de 2010, e ainda menos a crise de Novembro de 2010. Portanto, a crise sim, pânico não.

Esperemos para ver a resolução da Grécia, mas, por agora, o papel das reformas em Portugal parece dar os seus frutos, e os investidores valorizam por agora os preços com que negociados os ativos espanhóis … outra coisa é a gestão do tempo de investimento e admitir que devemos deixar as turbulências para ver as classificações de novo poder se recuperar.