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Economia Mundial e Brasileira

Qual é o verdadeiro Eurobono?

Qual é o verdadeiro Eurobono?

No contexto atual de grande discussão sobre se acreditemos ou não os Eurobônus como mecanismos definitivo de resgate para a crise da dívida soberana, esquecemo-nos muitas vezes de que atualmente já temos títulos de dívida cotados risco soberano europeu, ou seja, já temos “eurobônus”. O que acontece que os seus orçamentos ou volumes de emissão não são grandes o suficiente para dedicar-se a resgatar a nenhum soberano e/ou suas funções ou estatutos não permitem que tal tarefa.

Vejamos os 3 emitentes que há com estas características.

Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF ou. É o Fundo criado para o efeito para resgates de países derivado da crise financeira de 2010. É um fundo complexo, que se baseia na titularização de garantias dos 17 países da Zona do Euro. Além disso, conta com um colchão de liquidez para ter rating AAA em suas emissões. Atualmente trabalha em aumentar a capacidade efetiva do fundo, que atualmente ajuda já com empréstimos para Grécia, Irlanda e Portugal, mas não seria potencialmente capaz de ajudar Itália e Espanha (note-se o efeito de que o país resgatado deixa de conceder garantia – menos capital para EFSF – e pede ajuda ao mesmo tempo – mais passivo para o EFSF -).
Banco Europeu de Investimento ou INSTITUIÇÃO. É a instituição supranacional, nascida em 1958, com o início da união econômica, destinada a usar o capital dos 27 estados-membros da União Europeia em promover o crescimento equilibrado e integração econômica. Ou seja, nada que ver com resgates. Seria o equivalente a ser “agência financeira e económica” da Zona Euro. Dando empréstimos a projetos sócio-ambientais ou econômicos que interessa promover.
Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira ou EFSM. Este papel com um volume de financiamento relativamente pequeno de EUR 60.000 milhões conta com o respaldo em seu capital dos sócios dos 27 países da Zona do Euro e foi criado antes do estouro da crise. Sua função é servir de estabilização das condições económicas entre os membros, com foco em ajudar os membros com dificuldades económicas.

Pois bem, temos aqui a três entidades que contam com o apoio dos estados-membros da Zona do Euro ou da União Europeia.

Podemos pensar que o spread ou diferencial entre a rentabilidade destas dívidas cotizará:

A estrutura da garantia: por exemplo, se está em forma de ações ou de garantias.
O risco para o negócio a que se dedicam as entidades: por exemplo, se é uma agência ou entidade supranacional ou se é um fundo dedicado ao resgate de outros países.
Quantos países dêem garantia da instituição: se são os 17 da ZE ou os 27 da UE.

Os efeitos mais importantes, tanto que a garantia dos 17 países da ZE é “mais grande”, que os efeitos citados sejam decorrentes da estrutura dessa garantia e o modelo de negócio de cada instituição.

Evolução da dívida 5yr de EFSF, EFSM, EIB.

Conclusões:

Na origem, sem stress no mercado, o EFSF começou a ser negociadas entre o EFSM e o EIB. Ou seja, era mais seguro (menos rentabilidade) que a entidade supranacional, mas era algo mais do que o fundo dedicado a usar o orçamento europeu em ajudar países da união europeia que tem muitos anos no mercado.
Hoje, com o aumento na utilização dos fundos do EFSF, e com a mudança na estrutura da garantia do EFSF (agora passa de EUR 440.000 milhões de capital para poder ter EUR 440.000 milhões de “capacidade efectiva de concessão de empréstimos”) vemos que o Fundo é o que mais sofre. Hoje o mercado está cotada um risco para EFSF muito superior ao de EIB e EFSM.Ou seja, os países que devem receber os novos resgates, receberão ajuda de um Fundo que nos é imune à sua própria atividade, que de fato sua própria atividade pode prejudicar o custo de sua dívida (lembre-se, cada vez que emite é porque resgata um país que já não lhe fornece a garantia), e além disso, hoje sofre com as informações e esforços para a modificação de sua estrutura.

Vamos, que se EFSF continua a agravar a este ritmo … ¡¡ quase melhor pedir o resgate hoje do que amanhã !! Bom, ou talvez não … porque essa condicionalidade exigida a mudança é dura.