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Economia Mundial e Brasileira

Se a Grécia corta em 50% a sua dívida, você deve detonar sua CDS

Se a Grécia corta em 50% a sua dívida, você deve detonar sua CDS

Em um momento em que se anuncia que a Grécia cortará 50% das amortizações de boa parte de sua dívida, isso não lembra que existem os CDS ou seguro de crédito.

Basicamente um CDS sobre um bónus grego é composto por um inversor ou vendedor do seguro que está a mudança de cobrar uma prima periódica em troca de assegurar ao comprador do CDS de que lhe levanta a perda resultante no caso de inadimplência da Grécia em bónus.

As chaves para detonar um CDS estão definidas no contrato-quadro ISDA. É chamado de “evento de crédito” e sem descer aos detalhes, cobre casos como o de reestruturação, pagamentos pontuais ou falências definitivas. A chave é a “vontade” do investidor em bónus de não cobrar. Se o próprio bonista está de acordo com “não cobrar”, supostamente cabe a interpretação de que o seguro não é activado. E essa obstinação vai por votação por maioria, não por unanimidade. Daí a importância de as negociações entre bonistas.

O anúncio do desconto de 50% da dívida grega vem de novo acompanhado da palavra “voluntário”, como já explicamos em Sintetia. Se houver acordo majoritário, aceitando a remove de 50%, isto potencialmente evitaria detonar o CDS da Grécia. Mas isso não é directamente interpretável assim … já que nas definições ISDA haircuts (tirar ou descontos), superiores a 40%, podendo ser entendido como “nunca voluntários”. Não obstante, vamos ao caso … Há autores, como Nouriel Roubini o blog ou Zero Hedge que afirmam que não detonar o CDS com um calote de 50% é pior do que detoná-lo, dada a sugestão, que transmitiria ao mercado sobre a eficácia do CDS como de seguro de crédito.

Se hoje conseguimos que uma tira de 50% da dívida não detona o CDS da Grécia, isso pode ter consequências indesejáveis. De que serve um seguro que nunca paga? De nada !! É dizer, se a Grécia não detona o seu seguro agora, nunca o fará nenhum soberano europeu. Perdendo todo o sentido o seguro sobre os estados soberanos.

Nos encontramos de novo diante de um potencial caso de “o remédio é pior que a doença” ou as tão comentadas “unintended consequences” deste grande plano de resgate europeu.

Se os CDS soberanos se mostram inúteis, tiramos a mecha seu preço a zero. E todos aqueles agentes que desejassem, em alguma ocasião cobrir a sua exposição em dívida destes países, devem ser feitas por meio de outros produtos. Quem sabe, talvez se popularicen agora as credit spread put options sobre emitentes soberanos, ou o empréstimo de valores … ou o que é pior, a venda direta de títulos de forma acelerada, desencadeado as conhecidas vendas fire-sais ou “vendas forçadas” !!

Como já dissemos em sintetia, esta crise de certeza que desaparecem alguns produtos finaniceros … e nascerão outros. No início parecia que desparecería a titularização (pelo estigma suprimido) e o negócio das monolines ou seguradores de títulos (pelo estigma da AMBAC e MBIA). Hoje não parece que seja assim, quando o fundo de resgate europeu (EFSF é uma mega-titularização e coloca-se agora que o próprio fundo atue de monoline de dívida soberana europeia.

A partir de então, se a Grécia não detona seu próprio CDS se for o caso EFSF desejar emitir o seu próprio CD (no caso de se tornar um emissor com risco de crédito médio-alto) … não pode fazê-lo, sob o esquema ISDA, pois demonstrou que na Europa não funcionaria nunca a sua detonação.