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Economia Mundial e Brasileira

Ter CDS naked pode danificar o seu custo de financiamento

Ter CDS naked pode danificar o seu custo de financiamento

Os CDS naked ou descobertos são aqueles contratos de seguros de falta de pagamento da dívida de um emissor que são acoplados por cima do próprio volume de dívida que tem com o emissor. Ou seja, vem a ser uma aposta do “big blind”. Um indivíduo “otimista” sobre a capacidade de crédito de um emissor de aposta contra um indivíduo “pessimista” a que o emissor não impagará sua dívida. Se há mais quantidade de seguro que de dívida propriamente, a aposta está a ser realizado sobre um fato ou cego, ou não real.

Este tipo de seguro de crédito não regulamentados tem estado desde o início da crise da dívida soberana no centro das críticas, que são a ferramenta perfeita para permitir que os pessimistas tomar posição monetária direcional sem limites.

O aumento na utilização destes instrumentos e a certa elevação dos prémios dos CDS de muitos soberanos sensivelmente acima de seus diferenciais de crédito marcados em bônus de financiamento propriamente levou países como a Alemanha a regular o uso do mesmo.

Agora, os professores de economia Rajiv Sethi e Yeon-Koo She da Universidade de Columbia analisam em profundidade as implicações econômicas destes instrumentos: os CDS naked.

Como qualquer outro derivado, os CDS (cobertas ou descobertas) e que necessitam de uma posição vendedora, e de outro comprador. Em seguida, o payoff ou pagamento líquido do mesmo será zero para o vencimento. De lá, o pensar, a priori, que estes instrumentos não podem causar sérios danos econômicos. Em vez disso, esses autores afirmam que têm um importante impacto sobre os fundamentais económicos dos emitentes de dívida, em especial, sobre o seu custo de financiamento.

Em concreto, a existência de apostas em jogos de soma zero sobre o incumprimento de um emitente tem importantes implicações econômicas. Estes contratos, levam os investidores que estão otimistas sobre os lucros futuros de um emissor, que seriam precisamente naturais compradores da dívida deste emitente, para vender proteção sobre o crédito do emitente, diminuindo assim a capacidade de estes investidores de participar em novas emissões de títulos de dívida do emitente.

Em tanto que estamos falando de CDS descobertos, estamos em uma situação em que há “muito mais pessimistas do que otimistas” ou “compradores de proteção que vendedores”. Assim, em caso de falência do emitente de referência do CDS (caso do que para o pessimista, é muito provável) o pessimista é consciente de que o otimista pode ter problemas para fazer frente aos pagamentos do seguro. Por isso, lhes exigido para os otimistas de um depósito de garantias para provar que são contrapartidas solventes.

Esta necessidade para os otimistas de dispor de capital para fazer frente ao colateral dos CDS naked é a que faz com que estes compradores naturais da dívida do emitente (os mais otimistas) não possam continuar a apoiar as suas emissões, devendo outro tipo de investidor (menos otimista) ser quem apoie o financiamento do emitente.

Isso provocará um aumento dos custos de financiamento, com o conseqüente aumento da probabilidade de falência cotada sobre o emitente e começar um caminho de feedback em que o emissor entra no problema de refinanciar sua dívida.

Agora, cabe pensar se isso está acontecendo com, por exemplo, o caso de Portugal. Para o Reino, a curva de CDS subiu significativamente nos últimos anos. Apenas em Julho e Agosto relaxou, mas agora volta a ter praticamente a mesma estrutura que, há dois meses. Se os principais investidores do crédito de Portugal estão “ocupados” servindo o colateral dos CDS (que para um otimista pagam “muito” em função do risco que contribuem), é razoável pensar que o investidor marginal (o que fará o preço da dívida de Portugal é significativamente “menos otimista” que antes do início da espiral negativa do CDS. Explicando isso aumentado o custo de financiamento que enfrenta o Reino de Portugal.