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Economia Mundial e Brasileira

Uma falsa realidade: sobre prémios de risco e leilões de dívida

Uma falsa realidade: sobre prémios de risco e leilões de dívida

Já sabemos a história. O BCE cria um leilão para que lhe levem dívida pública para desconto em troca de liquidez. O objetivo, introduzir liquidez ao mercado e acalmar os prémios de crédito. E o que está acontecendo?

O Tesouro da Espanha emite massivamente durante o mês de janeiro, aproveitando a demanda de bancos que querem esse papel para o desconto com o BCE. O que acontece no leilão última Tesouro de hoje prazos de 2015/16/17? Pois a barganha “começar a acabar”. E dizemos barganha ao já famoso carry-trade.

A parte curta da curva de Tesouro foi apertou muito e os bônus já não rentan tanto como para compensar o risco assumido no carry-trade. A demanda relaxa, o Tesouro colocou seus bônus, mas não bate com seus intervalos máximos anunciados.

Este “rally” (compras maciças) da parte curta da curva (a que podemos praticamente ajustar perfeitamente com o término do leilão de BCE) faz com que vivamos em um mundo irreal, que podemos chamar de “mercado intervindo” ou “falsa solvência”. E é que os prémios de risco medidas por CDS (não sujeitos a manipulação direta através do mercado de bônus-compras para o BCE) não refletem o que o mercado de bônus, parece indicar.

Criamos um gap ou a diferença entre a taxa de juro a 5 anos de Portugal e o CDS a 5 anos de Espanha. Obviamente, dentro da evolução da dívida a 5 anos, entra o componente de “descida das taxas de juro oficiais” que o mercado desconta, mas em conclusão, a não-relaxamento de CDS demonstra que o único realmente conseguido através de leilões é de liquidez para os bancos que a “atesoren” e nenhum efeito poderoso sobre os prémios de risco/crédito. Além disso, podemos chegar a uma situação em que até mesmo o apelo da estratégia de carry-trade “se esgota” antes de chegar à próxima grande leilão (LTRO 36 meses) do dia 28 de fevereiro, onde já se fala de números próxima a 1 bilhão de euros (1 trilhão inglês, 12 zeros), número que duplica amplamente EUR 450.000 milhões de 20 de dezembro.

Enquanto isso, o que fazer se você é emissor de dívida? O comportamineto do Tesouro, captando “o máximo possível” em leilões, é absolutamente lógico, assim como o comportamento do Banco Santander, que emitiu uma cédula hipotecária com vencimento exato em fevereiro de 2015, apenas no mês de vencimento do leilão do BCE, que lhe permite obter uma emissão de EUR 2.000 milhões de dólares, com um livro de 7.000 milhões e reabrir um mercado de cédulas que estava seco, incluindo também os investidores estrangeiros no livro.